quinta-feira, março 22, 2007

Política: uma armadilha ao jornalismo

A prática do jornalismo, antes de tudo, precisa ser pautada na verdade e numa representação mais próxima possível da realidade. Contudo, na atualidade, em uma sociedade de mercado e de bens de consumo, a informação se tornou mercadoria de troca, na qual as agências de notícias, redes de televisão, jornais impressos, revistas e outras mídias, vendem seus espaços para divulgação e impregnação de ideologias de outros.

A atividade política que anteriormente mantinha uma determinada distância das redações (nem tanto), passou a rondá-las com o intuito de contaminar a produção da notícia e agregar a ela idéias e ideais. Quando cito o vocábulo “produção”, como no parágrafo anterior, este deve ser levado ao seu significado literal, ao qual remete a própria criação, no sentido de transformar em notícia algo que de alguma maneira, possa favorecer este ou aquele grupo político detentor do poder e neste conceito a própria informação.

Cada vez mais, este poder político está presente nas empresas midiáticas, definindo o que é viável a ser publicado, pois quando certos grupos não são donos do veículo, utiliza de sua influência para direcionar a divulgação de uma informação, ou pelo contrário, utilizar esta para atacar grupos de ideologias contrárias.

O jornalista tem por obrigação aprender a conviver com esta dura pena que lhe é passada e tentar ao máximo possível manter ético e preservar o bem mais precioso que o jornalismo possui: a informação.

Os obstáculos à informação existem há tempos, contudo esses novos entraves à prática jornalística, a submissão política e ao capital, estão transformando-a em uma atividade paralela à política que faz com que a liberdade de imprensa afunde no mesmo barco em que a política, graças a sua falta de credibilidade e transparência.

No Longa-metragem, Todos os Homens do Presidente (1976), homônimo ao livro escrito pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do jornal americano Washington Post, é mostrada a dura batalha entre um periódico “estadunidense” e esse inimigo por vezes invisível, mas que se revela mais forte do que se imagina e tenta cercear a liberdade de imprensa, usando a própria imprensa para atacar, além de deixar poucos indícios que fazem com que os jornalistas tenham que se desdobrar para ter êxito em uma das investigações jornalísticas que se tornou um dos marcos da história da comunicação; o caso Watergate.

No filme, já os créditos de abertura que aparecem com um som violento das letras sendo escritas numa máquina de escrever mesclando-se ao som de tiros disparados por um revólver, exibem de maneira sútil que as palavras serviam, e ainda servem como armas poderosas.

Passamos a viver em um mundo paralelo, numa batalha voraz e sem precedentes da imprensa contra a imprensa, confronto esse incitado por forças políticas distintas que tentam ao seu bel prazer, manipular a informação, transformado as mídias em fantoches e indiferentes a destruição de uma atividade tão preciosa para a sociedade: o jornalismo.

sábado, fevereiro 24, 2007

Pan e Circo no Brasil


O tempo passa, mas algumas coisas não mudam. Há séculos, a política do Pão e Circo foi implementada em Roma para abrandar os ânimos dos camponeses que, com o crescimento da escravidão, perderam seus empregos e se dirigiram para a cidade em busca de uma vida melhor. Infelizmente, para eles, essa melhoria não veio devido ao avanço desordenado da cidade romana, que já não comportava mais a imigração advinda das zonas rurais.

Esse crescimento na cidade provocou temor no imperador César, cujo receio se devia a possíveis revoltas e um provável enfraquecimento do império romano. O Panis et Circensis consistia em dar diversão e comida para o povo com o objetivo de anestesiá-los diante da situação precária em que se encontrava a vida de miséria e pobreza em Roma.

Apesar de meu pequeno devaneio, pense bem: será que isso deixou de existir ou apenas evoluiu para formas mais discretas de açoitamento e a perda por completo da sensibilidade social ?

Programas “sócio-paliativos” como Bolsa família, Programa do Leite, Vale-gás não resolvem nem de longe os problemas arraigados nas entranhas da sociedade brasileira. Esse é o pão de cada dia entregue nas mãos das pessoas para que se contentem apenas com ele e não busquem uma mudança no cardápio de suas vidas.

A dormência começa com a barriga cheia e tende a se estabelecer com o entretenimento se instalando em nossas casas, como se fosse uma verminose que vai corroendo nosso estômago e se espalhando pelo corpo até chegarmos a um estado de completa anestesia.

Esse é o Circo que vem através de diversos eventos como a Copa do Mundo, as Olimpíadas e os Jogos Pan-americanos, este último, a ser realizado no Rio de Janeiro ainda este ano. Parques esportivos de nível internacional estão sendo construídos para abrigar um evento que teve o custo inicialmente orçado em R$ 720 milhões, mas cujos gastos já romperam a barreira dos R$ 3 bilhões.

A organização do Pan e o governo federal discursam e se vangloriam sobre a realização do evento no Brasil e alardeiam sobre os benefícios, a movimentação financeira e a geração de empregos.

Questiono-me e vos questiono acerca do seguinte; por que tanto dinheiro investido num único evento esportivo, este gerando vantagens apenas indiretas à população, se toda essa receita poderia ser direcionada para a direta melhoria de vida do cidadão brasileiro através de investimentos em infra-estrutura, segurança, saúde e educação?

Será que temos tanta fome assim de esporte? Será que poder ir a um posto de saúde e ser atendido sem esperar horas na fila não é mais importante do que participar de um hola em um estádio de futebol? Não seria um preferível sair de casa com a família sem o receio de sofrer com a violência nas ruas a assistir a um jogo de beisebol, esporte que conhecemos através da “caixinha de pandora”?

O Panis et circens de César fez escola e vai sendo aprimorado. A dormência segue e a vida continua. Alguns preferem o pão, outros o circo. Mas será que não teremos nunca a oportunidade de escolher o espetáculo que assistiremos? Continuaremos sendo os gandulas da sociedade, perto de onde o jogo acontece, mas sem a liberdade para interceder?

Nesse caso, simplesmente continuaremos a ser aqueles que são atirados aos leões.

domingo, agosto 06, 2006

Universidade pra que te quero?!


Em mais uma virada de semestre, novos alunos adentram nas universidades públicas federais e estaduais com grandes expectativas em relação ao curso no qual estão ingressando e até mesmo com o cotidiano universitário ao qual, daquele momento em diante, estarão inseridos.

De acordo com a versão digital do dicionário Aurélio a definição da palavra universidade é seguinte: “Instituição de ensino superior que compreende um conjunto de faculdades (...) para a especialização profissional e científica, e tem por função precípua garantir a conservação e o progresso nos diversos ramos do conhecimento, pelo ensino e pela pesquisa.”

Mas qual a verdadeira função da evolução desse conhecimento processado em tais instituições, se ele não for aplicado em benefício da sociedade? Exatamente porque é essa mesma sociedade que arca com os custos da universidade...

Contudo e infelizmente, muito daqueles que entram nas universidades públicas vem com o objetivo tão somente de crescer individualmente. Não que isso seja um crime, pois para se entrar numa instituição de nível superior de qualidade e gratuita é necessário muita força de vontade e dedicação, e não há problema algum em querer uma recompensa por todo o esforço empregado.

Todavia, esse sentimento unilateral e egoísta que está arraigado em nossas entranhas desde muito tempo, precisa se dissipar e dar lugar a uma perspectiva mais ampla da sociedade e da nossa responsabilidade para com ela.

Que as universidades, sendo federais ou estaduais – não importa – possam ser, além de berço para novos conhecimentos e conceitos, um ponto de convergência de interesses do todo em detrimento das partes.

Então que os “calouros” e “veteranos” possam refletir sobre suas posturas individuais e sobre a importância da participação nas atividades universitárias, para que este conceito de global de coletividade venha efetivamente a fazer parte da universidade, e não fique apenas nas páginas de um dicionário.

terça-feira, julho 18, 2006

O "novo" Superman


Essa é a primeira vez que escrevo para este blog. Eu havia imaginado começá-lo com um texto supostamente bem mais “cabeça” e que falasse sobre o “novo”, mas por quê? Se posso fazer diferente!!!

Mas por que falar do “novo”!? Pode parecer estranho questionar a respeito disso, mas todos nós convivemos com ele diariamente e está sempre presente, desde o momento do nascimento até a hora da morte.

Tentando não fugir do meu foco e me mantendo distante de uma reflexão filosófica, que provavelmente vai parecer impossível, neste último final de semana, fui com alguns amigos assistir o filme Superman – Returns, do diretor Bryan Singer, aquele mesmo que dirigiu X-men 1 e 2.

Cheguei ao “Multiplex” com uma enorme expectativa a respeito do longa-metragem, mas que de certa forma, não deveria, por estar cansando de me decepcionar com badaladas produções cinematográficas (leia-se ,principalmente, Código da Vinci) e poderosas estratégias de marketing que pouco a pouco vamos nos habituando e conhecendo melhor.

Enfim, chegando à sala de cinema, teve início mais uma tragédia aos idos do teatro grego com pitadas de situações “telenovelescas”, esta última, tão comum ao grande público. O filme parece mais uma analogia a vida de Jesus Cristo, me perdoem os cristãos mais fervorosos pela comparação.

O Superman de Bryan Singer, que insiste em aparecer na posição de uma pessoa crucificada, vai ao exílio em busca da sua verdade e quando retorna, passa por diversas provações e “morre”, no caso do nosso personagem contemporâneo, após ter sido espancado pelos capangas Lex “Pilatos” Luthor.

A ressurreição deste marco dos quadrinhos, não é tão gloriosa quanto à do filho de Deus, até por que ela e grande parte do longa – que é realmente longo, 153 min – foi recheado de clichês baratos, cenas previsíveis e algumas atuações que não estiveram a altura dos personagens importantes da trama, que foram encarnados por atores inconsistentes e inexperientes – salvo o ator Kevin Spacey , que interpretou e “incorporou”o personagem megalomaníaco e carismático de Lex Luthor.

São pequenos detalhes como estes que fazem com que o público perceba que não vale mais a pena ir ao cinema para ver um filme apenas pelos atrativos dos cartazes, teasers e trailers amplamente divulgados.

Esta, apesar de ser uma película baseada em um personagem tarimbado dos quadrinhos e com uma história pré-deterrminada, é importante que tantos clichês sejam evitados e que novidades como os efeitos sonoros agregados ao "param-pam-pam-pam" - tema clássico de John Williams – Superman I, II, III e IV sejam mais freqüentes e que os roteiristas sejam mais ousados, sem que a história tenha que ser comprometida para isso.

Apesar do “novo” gerar medo nas pessoas, por ele ser potencialmente perigoso, este é o risco que temos que correr para que nossa gama de sensações e experiências se amplie ao ponto de percebermos que dentre as principais engrenagens que movem as nossas vidas existe esta: “O novo”!!!