sexta-feira, abril 25, 2008

Das placas, nem o pó!

Uma placa em meio a um cruzamento. Uma sinalização que indica caminhos tortuosos para o bem e para o mal. Uma criança está perdida ali. Na verdade, não apenas ela, mas muitas outras permanecem no mesmo local, que está lá e em qualquer lugar do mundo de cabeças e interesses distorcidos.

Sem saber ler, escrever, dormindo tarde e acordando cedo, para trazer um pouco, do que nada tem em casa. A esperança de uma vida melhor que poderia ser alcançada se aquela placa, fosse apenas uma placa, e não uma parede de proteção, um cenário, que esconde rostos e almas deixando a carne exposta para sofrer o calor incessante do sol e a dura frieza dos corações inertes e pouco palpitantes dos transeuntes.

Uma vida sem perspectiva e de movimentos de mão ascendentes apoiados por um limpador de vidros que quase sempre é respondido com indiferença e uma negação instântanea.

Por que tantos com tão pouco? Por que tão poucos precisam de tanto, a toda hora e a todo tempo? Por que queremos tanto ter, ao invés de ser? Se a maioria está tentando ao menos sobreviver?

São muitas perguntas, para nenhuma resposta. Nenhuma assertiva que possa satisfazer esse questionamento que não deveria ser apenas de uma consciência projetada individualmente, mas de uma consciência coletiva que pode mudar o mundo.

Sonhar? Não custa nada. Mas viver? Custa sim, e caro, muito caro. Principalmente para aquele menino, de calção velho, camisa desbotada, descalço, olhar vazio e triste, mas com a esperança oculta de que um dia, o egocentrismo coletivo vai se transformar num pensamento de justiça e igualdade, onde todos poderão ser cada um e não só adereços de uma placa, em meio a um cruzamento.

Do blog - Escrevi este texto, após observar da janela de um ônibus, um garoto de pouco mais de 10 anos, se esgueirar entre os carros para tentar limpar para-brisas e ganhar trocados, isso, depois das 22h.

terça-feira, abril 22, 2008

A imprensa no caso Isabella Nardoni

A morte de Isabella Nardoni, de apenas 5 anos, é o agendamento midiático do momento. Ou seja, o tema de maior impacto, o qual os veículos de comunicação estão proporcionando maior cobertura em detrimentos de outros assuntos nos últimos dias, nos jornais, nas rádios e na televisão.

A forma como este crime está sendo exposto divide opiniões e de uma forma bem sucinta, tentarei expor os dois lados, o negativo e positivo, da ampla atenção que vem sendo dada ao fato pela mídia nacional:


A mídia, agente educador

Por um lado, a imprensa está conseguindo algo que normalmente não é comum. Dar continuidade a umtema, a um fato. Normalmente, um assunto é explorado até um dado momento, até que outra coisa maior ou de interesse do meio de comunicação aconteça para que o agendamento seja mudado.

Além disso, a cobertura - na medida do possível - está sendo realizada de maneira multidirecional, pelos menos nos últimos dias, quando as partes envolvidas estão sendo entrevistadas e tendo espaços nos veículos, desde a polícia, passando pelos advogados e promotoria, até os acusados.

Há ainda a questão da formação e educação que a mídia proporciona, uma das funções pouco exploradas e percebidas pela maioria dos cidadãos. Com o acompanhamento quase em tempo real, é possível para a população perceber como funciona o trabalho de investigação, de abertura de um inquérito e todo o processo para que alguém possa ser julgado.

O lado negro da mídia

Mas nem tudo são flores na também cruel e maldosa cobertura do caso Isabella Nardoni. Apesar de agora, as pistas e os indícios mostrarem o casal (pai e madastra da garota) com os principais suspeitos do crime de maneira mais clara, estes logo no início da cobertura, já haviam sido declarados culpados pela própria imprensa, que infelizmente, possui o dom acusar, para em seguida, apurar com mais cuidado.

Foi incitado ódio nas pessoas, que antes mesmo da liberação de qualquer laudo ou informação mais concreta sobre o caso, cidadãos já cercavam o carro dos acusados clamando por justiça e taxando o casal por assassinos. Sobre a imprudência da mídia, leia um pouco sobre o caso da Escola de Base, onde um casa, proprietários de uma escola infantil, foi acusado de abusar sexualmente de crianças, e tiveram sua vida devassada e destruída, para depois de tudo, ser constatado que ambos eram inocentes.

Existe também a superexposição do fato, não se vê, lê, ou ouve nada diferente em relação a notícias que não seja a morte de Isabella. Diversos outros temas e assuntos bem mais importantes para o coletivo, para a sociedade em geral, como problemas sociais que vêm a fomentar a prática de crimes bárbaros como esse tal.

Pense bem, quantas crianças morrem em situações parecidas ou em circunstâncias bem piores. Bebês perdem a vida por falta de comida todos os dias, no mundo inteiro, e isso não é noticiado em lugar algum. O máximo que ocorre, é que essas mortes se tornem estatísticas para um discurso demagogo e hipócrita durante a campanha eleitoral.

Ocorre ainda que a pressão dos jornalistas e da grande mídia acaba por prejudicar as investigações do caso que, como qualquer outro, precisa ser apurado com cuidado para não provocar a construção de um grande erro que pode acabar com a vida de um casal, ou livrar dois monstros da cadeia. A cobrança constante por parte da imprensa e a busca por novas notícias faz com que a investigação não satisfaça a ela própria, mas também para alimentar a fome pela informação, o que pode proporcionar o desvio do foco, que é elucidar o caso.

Crescimento social ou a guilotina?

Enfim, apenas quis trazer um pouco do que acontece por trás da construção de uma notícia, e da importância do cuidado para que uma informação seja mostrada pelo que ela é, e não pelo que querem que ela seja. Porque o jornalismo pode ser uma forte arma para crescimento social ou uma máquina do tempo para regredir ao tempos da guilotina medieval.

sábado, abril 19, 2008

O Banquete

Em meio à noite densa de uma floresta como qualquer outra, os movimentos lépidos de um vulto podiam ser vistos ziguezagueando por entre as árvores. Na verdade, seria uma cena comum, exceto pelo capuz vermelho que ocultava aquele rosto, antes mostrado sem o menor pudor. Uma face cheia de magia, mas que possuía feições poderosas e delicadas.

O passeio noturno da estranha de vestes rubras havia se tornado freqüente nos últimos dias, o que não passou despercebido aos atentos olhos dele, sim, ele havia detectado a sua presença. Com alma de predador ele a acompanhava todos os dias, sem que ela percebesse que estava sendo observada.

Mas o desejo não deixou que ele permanecesse oculto às sombras. A magia daquela garota havia destruído seu equilíbrio. E naquela tácita e habitual noite, ele acabou por irromper diante daquela criança, daquela filha da noite. Nem uma palavra foi dita, apenas uma troca de olhares profundos e gélidos, mas que carregavam algo mais, algo que se escondia por entre as frestas da tensão momentânea.

O encontro durou pouco mais de alguns segundos, pois aquele ser solitário de garras e olhar agressivo, se entregou à força e a delicadeza dos traços obscurecidos pelo capuz rubro. Ela, não estremeceu, encarou-o por alguns instantes e seguiu seu caminho deixando-o para trás, deixando que sua silhueta se perdesse na inebriante e silenciosa neblina noturna.

O vagar da garota não durou mais que alguns minutos. Ela se deparou com uma casa de madeira, num pequeno pântano, um cenário comum a uma memória não tão distante. Com um movimento rápido de mãos, ela tocou a maçaneta da porta que se abriu acompanhada de um ruído inócuo, porém gélido.

Indiferente, ela entrou e dirigiu seu olhar para o segundo cômodo, dos dois que a casa possuía. E viu aquele corpo, jazer sobre o leito, que tinha ao lado, apenas um abajur antigo, com uma fraca luz que tornava a escuridão do ambiente, ainda mais perversa.

Ela se aproximou, observou com calma aquele personagem que, estendido, a encarava de uma forma que ela já conhecia. Nenhuma pergunta ela fez, apenas deixou que seu capuz caísse para trás. Aquele que há alguns minutos a encarou inebriado, aterrorizou-se com aquela nova visão.

Antes que pudesse esboçar qualquer outra reação, os dentes daquela jovem sedenta de sangue perfuraram sua jugular, ao ponto que seus olhos antes vívidos, perderam a cor e as garras tão poderosas tornaram-se apenas um adereço de um corpo dantes tomado de paixão. Ainda com resquícios de vida, teve seu pescoço entregue ao deleite de uma senhora com prováveis séculos de existência.

Apesar da escuridão noturna apóia-las incondicionalmente, aquela cena dantesca foi acompanhada pelos olhos atentos de um caçador que se esgueirava pela janela frontal da casa e permitiu-se não interromper aquele banquete violento, ciente de que aquela animalidade precisava ser parada, mas não naquela noite, que era delas, só delas...

domingo, abril 13, 2008

Do Coliseu aos gramados

Futebol. Esporte adorado em dezenas de países e festejado no mundo inteiro. Basta uma bola rolar num tapete verde que o coração bate mais forte e milhões de pessoas vão às arquibancadas ou param diante de um aparelho de TV para assistir ao qualquer jogo que seja.

Mas, para outros, o futebol se tornou apenas um subterfúgio - uma desculpa - para transformar uma festa de multidões em um palco de selvageria, uma arena medieval dos tempos do Coliseu, em Roma.

É assustador como muitas dessas pessoas, que se dizem torcedores, saem de casa com o único propósito de ocupar espaços na arquibancada de um estádio de futebol e se digladiarem, sem justificativa alguma, apenas pelo prazer de exercer poder e de praticar a violência gratuita.

Mas por que isso ainda ocorre? Bem, tanto pela impunidade, quanto pela venda de álcool durante as partidas (é, ele libera impulsos resguardados pelo bom senso). No entanto, creio eu, que este fato ocorre bem mais pela cultura da violência e do egoísmo, em detrimento da educação e da partilha, do que por qualquer outro motivo.

Hoje, as crianças nascem e já são expostas a todo tipo de violência gratuita e a uma sociedade que nos ensina, a cada dia, a pensar mais individualmente e menos no coletivo. Uma cultura que preza o ter e não o ser.

Infelizmente, paradigmas (nesse contexto, padrões de comportamento social) que se arraigaram no ventre de nossa sociedade e não podem ser mudados de uma hora para outra, mas sim no movimento gradativo de uma verdadeira evolução humana.

Quanto a medidas imediatas para resolução do problema, precisamos banir dos campos de futebol essas pessoas que mancham a imagem dos verdadeiros torcedores que se reúnem para ir aos estádio e cantar, vibrar todo seu amor pelo time do coração e pelo esporte mais aclamado de todos os tempos; o futebol.

sexta-feira, abril 11, 2008

Inconseqüência fora do ar

Há um tempo não escrevo neste blog e essas mensagens que fazem referência a este abandono são quase tão freqüentes quanto as postagens. Mas deixando de conversinhas paralelas, como diziam meus professores do ensino médio, vamos ao que interessa.

Não tenho acompanhado com rigor todas as reportagens relativas ao caso da morte da pequena Isabella Nardoni, de apenas 5 anos, a qual não vou descrever, pois aqueles que eventualmente venham a ler este texto, devem ter conhecimento de causa. Nesse sentido, uma coisa eu posso avaliar, tanto enquanto cidadão - são e com o mínimo de discernimento crítico - quanto como estudante de jornalismo que consegue perceber a espetacularização inicial dada ao fato.

Não quero reduzir o nível da barbaridade da morte da criança, mas quantas crianças morrem em situações parecidas ou em circunstâncias bem piores. Bebês perdem a vida por falta de comida todos os dias, no mundo inteiro e isso não é noticiado em lugar algum, a não ser como estatísticas durante campanha eleitoral num discurso demagogo e hipócrita.

O comum, o trivial, não é interessante à mídia que tem sede de sangue e o ímpeto de alimentar a fúria e o falso moralismo de uma população que pede um culpado para um crime que ninguém sabe quem cometeu, apesar das suspeitas.

Duas pessoas saíram de uma prisão de 30 dias, mas quem sabe quanto tempo elas permanecerão enclausuradas num sentimento de culpa que pode muito bem não ser deles? Imagine-se no lugar de um pai acusado de matar o próprio filho, sendo ele, inocente?

Escrevo isto com uma enorme dor no coração pelo sangue frio do assassino e pela não menos fria mente de cada cidadão, telespectador, leitor, internauta ou simples fofoqueiro que prefere chutar um veículo em movimento e chamar um homem de assassino, ao tentar perceber o mundo podre e insano no qual ele está vivendo.

Não quero declarar ninguém culpado ou inocente, não quero posar de bom samaritano, quero apenas mostrar como uma pessoa pode se indignar, naturalmente, sem antecipar o julgamento de alguém por preconceito ou mesmo por falta de conceito algum.

Espero, de verdade, que o caso tenha um desfecho e que não fiquemos com mais um crime indo parar numa gaveta escura e com cheiro de mofo por falta de investigação ou empenho da polícia. Torço também para que este jornalismo que muitas vezes é feito pelo Ibope e não pela busca da imparcialidade - que realmente não existe plenamente no conceito de jornalismo-, busque menos culpados e mostre mais a verdade, sem distorções ou floreios.

Mas minha maior e real vontade e poder ver pessoas se preocupando com as outras por natureza e não por um agendamento midiático que insiste em mostrar a tragédia por ela mesma e não como ferramenta de mudança social e humana.

Esse não é apenas um artigo de opinião, mas um desabafo pela forma com vejo o jornalismo sendo feito, tal como salsichas, que até são boas de degustar, mas a forma como são feitas, na maioria das vezes, não agrada.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

"Ser ou não", eis a questão

Escolhas. É surpreendente como um fator pode estar tão inerente a nossa vida de uma maneira que a faz ser como é, mas por outro lado, a transforma todos os dias.

De forma incessante e, a todo o momento, estamos rodeados de situações nossas, de outros e, em alguns momentos, por algumas que aparentemente não têm relação alguma conosco, as quais temos exigidas nossas deliberações para a resolução ou o desenrolar de uma episódio comum ou não de nossas existência.

Nesse sentido, imagino que a grande dificuldade da vida não está nas escolhas que fazemos. Quando preferimos um tipo de pão a outro ou mesmo em uma árdua decisão entre um suco de laranja ou de manga. Para mim e - sinceramente, penso eu - para muitos outros, o maior intempérie da vida é conseguir lidar com as conseqüências, por vezes, extremamente duras e em dados momentos desproporcionais às nossas decisões.

Creio eu que não deve existir uma fórmula mágica, nem para aprender a lidar com o momento difícil da decisão, muito menos com a missão de lidar com os resultados dela em relação a nós e aqueles que nos cercam. Mas a experiência que conseguimos em cada um destes momentos nos proporciona uma maior maturidade para encarar essas situações

Independente disto devemos estar cientes que tal ônus é um fardo o qual estamos destinados a carregar por toda a vida e com o qual precisamos aprender a conviver diariamente.

Não pretendo finalizar esta pequena reflexão com um conselho ou uma "receita de bolo" para a vida - quero fugir deste momento Ana Maria Braga - contudo, desejo apenas alertar para um detalhe o qual muitos de nós nunca atentamos, mas que é primordial para encaramos de uma maneira mais sensata o momento em que nosso julgamento é requerido: Algumas de nossas escolha podem ser tão importantes que deverão nos "premiar" ou mesmo nos "assombrar" pelo resto da vida.

Então quando ponderarem e se indagarem pelo "ser ou não ser?", pensem bem na questão.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Alfarrábios na telona: eis a questão

Ultimamente tenho ido ao cinema com bastante freqüência e tenho visto uma série de adaptações de livros e quadrinhos para o cinema e, mais do que isso, tenho observado a inconsistência dessas produções que nem de perto, se assemelham a grandeza de seus respectivos nas páginas de papel.

Antes que pensem que estou me metendo em meio aos cinéfilos, quero deixar claro que sou apenas um curioso-espectador que não que deixar de expressar sua humilde opinião.

Pois bem, o "alvo" dessa pequena crítica poderia ser direcionada apenas ao filme "Os Seis Signos da Luz" (no original "The Dark Is Rising"), no entato, quero abarcar as adaptações trazidas pelos engravatados de Hollywood as quais com a mesma têm suas respectivas películas nas telonas, mas que desapontam com um roteiro fraco e frouxo em relação as estórias que as inspiraram.

O filme citado narra a estória de um garoto que descobre às vésperas de seu aniversário de 14 anos ele foi o escolhido para restaurar o equilíbrio entre as trevas e a luz com a ajuda dos "Old ones" e dos seis signos.

Eu, particularmente, tive como experiências recentes e negativas em relação a esse tipo de adaptação (A Bússola de Ouro e Código Da Vinci) e até poderia citar outros que, apesar de não poder fazer comparações diretas entre filme/livro por falta de conhecimento específico de uma parte ou outra, tenho referências infindáveis de que a fidelidade se deu mais ao nome da produção do que ao próprio conteúdo “incrustado” na celulose alfarrábia.

No caso da "Bússola de Ouro", o livro trata como ponto principal a igreja e a forma como ela deseja controlar seus "fiéis". "No Código Da Vinci", várias cenas foram alteradas e outras nem entraram no filme.

Tudo bem, alguns irão sair em defesa dos “longas” e dizer que em cerca de duas horas de película não é possível concentrar o conteúdo de 400 páginas. Então me pergunto, por que fazer ?!

Não vou ser hipócrita e dizer que não fico ansioso quando descubro que aquele livro incrível que li será "materializado" num filme. Mas por outro lado, também fico receoso por não ter a certeza de até que ponto tal adaptação será fidedigna. Por que na verdade - e posso divagar por horas a respeito - as páginas dos livros possuem uma magia intangível e imperceptível quando ele está lacrado. Mas basta apenas abrí-lo e folheá-lo por alguns instantes que uma nova realidade se cria, países, mundos inteiros, populações e sociedades passam a fazer parte de nossa vida e, tudo isso, da forma como nós mesmos podemos formular através das nossas particularidades, imaginação e cognição...

Quero deixar bem claro que adoro cinema. Adoro o cheiro de pipoca e o gostinho do refrigerante gelado descendo leve pela garganta. Mas nem de perto essa sensação consegue se aproximar daquela em que imaginamos o clímax das páginas centrais do livro na qual o professor Robert Langdon descobre a "verdadeira estória" por trás do Santo Graal.

domingo, janeiro 13, 2008

Futebol: esporte para uma espécie

O futebol é uma paixão no mundo inteiro. Disso, todos nós sabemos. Mas como essa paixão afeta a vida das pessoas? Na verdade, essa paixão é algo tão intenso que proporcionou até a 'criação' de uma espécie, bem curiosa por sinal, entre nós seres humanos; o torcedor.

Passional, enlouquecido, sociável, violento, nervoso, sereno. São características paradoxais, mas que tornam o torcedoris complexus uma espécie digna de um estudo sociológico, psicológico e qualquer outro 'ógico' que você consiga imaginar.

Esses seres são bem dóceis - quase sempre - e costumam andar em bando. Na verdade, um bando bem barulhento. Cornetas, trumpetes, apitos e gogós bem potentes são os instrumentos mínimos e indispensáveis usados por eles para se comunicarem entre si, com os da espécie adversária e com o homenzinho de preto que insiste em marcar falta só para o time visitante.

Quanto ao seu comportamento, eles são dóceis sim, mas basta serem provocados por um 'complexus' de outra região, 'crença' ou mesmo ver seu time passando maus (sic) bocados em campo que esse caráter inofensivo desaparece e qualquer objeto pesado e pontiagudo serve de instrumento propício a lançamento na direção do adversário, do árbitro e até mesmo daquele atacante do seu time que não marca há incríveis dois jogos, sendo estes alvos em potencial.

Contudo, existe uma característica ainda mais peculiar relacionada ao torcedoris complexus. E essa surge no momento sublime do esporte nomeado futebol; o gol.

Exatamente... naquele instante no qual o objeto esférico usado na prática do esporte cruza a linha defendida por um 'qualquer' responsável por guardar as traves do bando adversário, explode uma onda incontrolável de alegria que perpassa desde um filhotinho dos complexus até aquele mais idoso. Possíveis diferenças que tendam a existir são desfeitas em milésimos de segundo e todos se tornam irmãos para celebrar o êxito de seu time do coração, tem até aqueles que abraçam e beijam o primeiro que aparece ao lado – blargh!

Curiosidades à parte e deixando um pouco essa espécie tão curiosa de lado. Penso que em muitas ocasiões, o esporte é alvejado por mim e muitos outros com palavras que o taxam como objeto de manutenção da ordem que deixa as pessoas em estado letárgico, desvirtuando-as ou destituindo-as momentaneamente de visão crítica ou mesmo alterando o foco de atenção de acontecimentos importantes relacionados à sociedade.


Em 2007, tivemos como maior exemplo disso, quando o Pan-americano estava prestes a começar. Dias antes, a mídia só tinha olhos para o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, o qual era acusado de uma série crimes, como quebra de decoro parlamentar e peculato. Mas de uma hora para outra, ele sumiu e ninguém sentiu falta; Cauê (mascote da competição) tomou todos os holofotes e se tornou bem mais importante, pelo menos para alguns...

Apesar de fatos como esse, é necessário pensar um pouco e perceber que num mundo tão desigual e cheio de intempéries, o esporte tem sim seu papel. No momento em que aquele senhor cruza a entrada do estádio junto com seu filho, boa parte dos problemas se 'desfazem' e ele pode, por 90 minutos mais os acréscimos do digníssimo árbitro, acreditar que aquele mundo pode lhe trazer um pouco mais de alegria e ele pode viver uma emoção prazerosa a qual não tem direito regularmente.

Por fim, não tenho interesse em justificar o esporte como válvula de escape para os problemas da vida real, pois as adversidades não desaparecem após o final de uma partida de futebol ou de qualquer outra modalidade esportiva e, ratifico, os olhos precisam ficar abertos para a vida fora do estádio. E quero sim, ressaltar a importância social e ainda democrática da vivência esportiva, mais especificamente do futebol, paixão de muitos no Brasil e no mundo.

domingo, dezembro 30, 2007

Um novo ano!


Um ano. Tem quase esse tempo que não escrevo para este blog. Mas o que é o 'ano' além de um marcador temporal como as horas, os minutos e os segundos. Ele enquanto excerto de tempo, nada mais é do que um espaço vazio a ser preenchido. A questão que realmente importa é; como preenchemos este espaço!

Muitos queimam os miolos pensando o que farão no ano que virá. Outros simplesmente não fazem planos e preferem que as coisas sigam seu ‘fluxo natural’.

Mas sem dúvida alguma, muitos analisam o quão bom ou ruim foi o ano que passou. Alguns imaginam ter permeado sua ‘mochila anual’ de coisas boas, outros nem tanto, mas independente do teor dessas escolhas e posturas durante os 365 dias passados, elas vão sim, indubitavelmente refletir em nosso futuro. As conseqüências da bagagem que adquirimos e acumulamos a cada ano molda e modifica constantemente a nossa personalidade, nossa vida e a de muitos que nos rodeiam.

Mas e você, já parou para pensar? Pode se orgulhar do que fez durante todo este ano? Suas escolhas, ao menos, em sua maioria foram acertadas? E se não foram, o erro vai se repetir? O quão disposto você está para fazer de 2008 um ano melhor para si e para aqueles que estão próximos?

Sinceramente?! Estas são perguntas que sempre ficam sem respostas imediatas e somente um novo ano pode garantir as suas resoluções, mas por outro lado, trazem novos questionamentos e assim nossas vidas têm o ritmo ditado e temos o impulso necessário para trilhar o caminho em busca de mais conhecimento sobre nós, os outros e o mundo.

Independente de tudo isso, espero, que esse ano vindouro possa nos trazer muito mais alegrias que tristeza, muito mais acertos do que erros, muito mais felicidade e menos angústia, mais paz e consciência.

E que 2007 tenha sido mais uma página importante de nossas vidas, não para ser esquecida, mas para ser lembrada e relida a fim de que consigamos, sempre, nos tornarmos pessoas melhores para que ao final da nossa jornada, quando precisarmos proferir nossas últimas palavras tenhamos orgulho de dizê-las.

Um feliz ano novo para todos!

terça-feira, julho 24, 2007

Lampejos de Consciência

Bola fora!

Dá para entender a imprensa?! Vi uma manchete recentemente que dizia o seguinte: “Bernardinho corta Ricardinho, o melhor levantador do mundo, e convoca o próprio filho”.

Caramba, no mínimo maldosa a manchete. A parcialidade da imprensa no momento da publicação de uma matéria com esse teor é enorme nas maioria daquelas que li no dia em que o corte foi anunciado.

Todas elas continham apenas o ponto de vista do atleta “traído”, cortado, e não mostravam a situação do técnico, nem buscavam o equilíbrio nas declarações de ambos. Não quero julgar o mérito da questão do ponto de vista esportivo, mas sim jornalístico. Menos juízo de valor, e mais jornalismo, pode ser?!

Ah... só para situar os mais desavisados, o levantador Ricardinho, eleito o melhor do mundo na última liga mundial, iria participar do Pan-americano do Rio quando recebeu a notícia non-grata Mas fazer o quê? Que os Jogos prossigam!

A TAM, o Pan e Calheiros

Bem, assumo que não tenho acompanhado os telejornais religiosamente nas últimas semanas, mas além dos atrasos nos vôos, o kaboom da TAM e o Brasil no Pan, alguém viu Renan Calheiros por aí?!

A cortina de fumaça criada pela queda do vôo 3054 parece ter atingido Brasília. É que parece que uma das vacas que Calheiros comprou estava meio inflacionada e o “sócio” dele teve que pagar o “leite” dos meninos por Renan ter ficado “financeiramente debilitado”, e depois disso... pam, pam, pam, pam...

E o nadador Thiago Pereira, hein?! Esse sim bebeu de um laticínio “abençoado” e conseguiu terminar sua participação no Pan com a marca histórica de oito medalhas, sendo seis ouros, uma prata e um bronze. É mole?!

Viva a Santa! Que Santa?!

É né, parece que o caos aéreo está afetando as instâncias superiores. Um fotógrafo bem conhecido pelas bandas de Natal que o diga. A “santa” Maria de Fátima parece ter desistido dos vôos convencionais e vai tentar algo mais radical; passeio de asa delta.

Pelo menos foi o que ela demonstrou na sua última visita ao RN. O fato aconteceu no aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim. Um grupo de beatas gordinhas e adoradores de Fátima aguardavam a chegada da imagem de santa.

Então, no desembarque, um pacote enorme veio em direção dos ansiosos devotos e logo ouviu-se o grito: - Viva a Santa. Em seguida veio o coro: - Viva. E os cânticos em nome da “imagem” começaram.

Mas como sempre existe um estraga-prazer por aí, um comentário foi feito: - Que santa grande! Daí parece que atentaram para este “pequeno” detalhe, o tamanho do pacote, e resolveram ao menos abri-lo: uma asa delta.

A Santa, que não é boba nem nada, queria era garantir sua volta e, por isso, mandou logo a condução na frente. Ah... a imagem de verdade, apareceu minutos depois, para delírio dos devotos.

Nem os céus resistem a esse caos da aviação brasileira. Até Lula parece ter deixado de viajar de avião.

domingo, julho 15, 2007

Uma reflexão digital...


Nesses dias tenho refletido muito a respeito de uma série de coisas. Na verdade, comecei este texto sem saber o propósito real dele. Parece no mínimo um desabafo ensandecido de alguém que parece estar conversando com uma máquina.

No entanto, percebo que a cada linha que escrevo, vejo um pouco de mim, um pouco do que me moldou durante todos esses anos e mais do que isso, percebo quem sou neste momento, de uma maneira tão clara, como poucas vezes foi possível para eu compreender. Mas a maior dificuldade, ainda sim, é perceber quem serei eu. Mesmo me encontrando num estágio de autoconhecimento relativamente avançado, se comparado a estágios anteriores pelos quais passei.

Acredito eu, que esse problema não me é exclusivo. Essa incerteza de quem realmente seremos torna as coisas ao mesmo tempo, emocionantes, instigantes e principalmente assustadoras. Mesmo que tentemos planejar nossas vidas, estabelecer metas a cumprir, quem poderá garantir que essas, já no dia seguinte, terão o mesmo valor do dia anterior? Será que elas não serão descartadas em detrimento de algo novo? Será que devemos permanecer presos ao mundo conhecido e com a sensação de falsa segurança?

A cada letra escrita aqui, noto que as idéias vão clareando em minha mente e aquela história de que o principal deve vir primeiro, fica fora de questão. Existem diversos pontos de vista para destacar a relevância de algo e com certeza, muitos poderiam analisar tal texto e deixar a sua seqüência lógica de lado, e assim, poderiam reorganizar as mensagens aqui contidas pela sua ordem de importância que lhes fosse peculiar.

Mas prosseguindo, determinadas coisas surgem em nossas vidas, não para melhorar ou piorá-la, mas para que possam ser degustadas como um sabor desconhecido ao paladar e que poderá agradar ou não. E independente disso, terá tido sua função completada, mostrar algo mais, algo que está distante dos olhos, que só poderá ser compreendido através do contato direto, ao se observar de perto.

A esquiva e o receio relacionados ao novo são algo inerentes ao ser-humano, que prefere o conforto do previsível, do ordinário, do medíocre. Aqueles que me conhecem um pouco mais, percebem a fixação que tenho pelo novo e de como ele pode influenciar na relação com o antigo, o conhecido, o familiar.

Mas você deverá estar se perguntando agora; - Qual o propósito deste texto? Plantar mais dúvidas? – De certo ele terá esse efeito, querendo eu ou não, posto que este questionamento eu me faço todos os dias e não poderia passar uma mensagem diferente daquela que me é intrínseca.

Por fim, quero apenas concluir mostrando que a vida é incerta (apontamento mais que óbvio). Mas por outro lado, essa característica que para muitos pode ser negativa, tem seu lado satisfatório, pois nos remete a uma infinidade de possibilidades que fazem com que a caminhada terrena seja algo interessante de ser vivida. O passado deve se fazer presente para nos fazer corrigir os erros, mas não significa que não podemos nos arriscar no desconhecido, saltar sem destino completamente definido às vezes, pois é bem possível que em uma dessas tentativas, em um desses lampejos de fé, alcancemos por alguns instantes, o acerto pleno.

segunda-feira, julho 02, 2007

Eternamente...


... a vida é extremamente surpreendente...
Conhecemos muitas pessoas em toda nossa vida...
Todas sempre com algo a acrescentar...
Algumas, mais que outras...

Mas na verdade, existe um grupo seleto...
Que passa a fazer parte de nossa vida...
Contribuindo de maneiras antes desconhecidas...
Pessoas nunca são iguais, e mesmo essas que...


Fazem parte desse grupo 'especial'...
Não o integram pelas semelhanças diretas...
Mas pelo que podem trazer de novo...

Algumas trazem a amizade...
Outras trazem a compaixão...
Algumas atenção...
Outras carinho...

Mas aquelas que conseguem trazer tudo isso...
São as que transformam nossas vidas...
Mas a mudam de uma maneira que é difícil definir...
Elas simplesmente alteram tudo ao nosso redor...
Dão sentido e cor as coisas...

Fazem um minuto de nossas vidas passarem...
Mais rápido e mais devagar...
Numa batida incompreensível, mas que ainda sim...
Fazem com que cada instante venha a valer a pena...

Pode parecer estranho e complicado...
Mas definitivamente, essas são as pessoas que quero...
Sem nenhuma exceção, todas ao meu lado...
Algumas ficaram um tempo, mas não para sempre...
Outras, passaram rápido, mas deixaram marcas...

Mas algumas delas, ficaram guardadas, eternamente...
Para enfim ter a certeza de que tudo valeu a pena...
E que o sentido da vida não é a felicidade...
Mas a busca incansável e incessante por ela...

E independente das barreiras lutarei...
Enquanto possuir forças e vida para tal...
Pois só e somente assim, terei vivido e sobreviverei...
... para sempre!!

quinta-feira, junho 28, 2007

O tique-taque e as moedas da vida moderna


A vida moderna. Quando você ouve esse termo em que você pensa? Avanço tecnológico, facilidade e praticidade nas comunicações e nas trocas de informação. Num gasto menor de tempo para efetuar inúmeras tarefas que ocupariam a maior parte do dia?

Pois bem, isto tudo é verdade. Mas até onde essa modernidade trouxe benefícios para a sociedade e para os indivíduos?

Dentro do avanço tecnológico, temos o exemplo dos microcomputadores e seus derivados, que vem facilitando a rotina de grande parte da população que precisa ou que tenha acesso a esta ferramenta. Ligada diretamente a esta tecnologia, temos a internet, que mudou completamente as relações sociais e instituiu de maneira quase que irrevogável a globalização ou integração mundial.

Mas acredito que duas coisas, mais especificamente, mudaram na sua essência o mundo como conhecemos para alcançássemos a tal modernidade; a instituição do sistema capitalista e a invenção do relógio. Poderia eu, ter me referido ao tempo ao invés deste último, mas correria o risco de divagar em discussões filosóficas.

De qualquer maneira, estes dois elementos (o relógio e o dinheiro), unidos, transformaram tudo ao nosso redor. Toda produção industrial é baseada no tempo (leia-se relógio). E quanto mais se produz, em menor tempo, maior a possibilidade de lucro. Parece uma equação fácil, mas ao invés da tecnologia que engrandece a produção, diminuir a carga de trabalho, ocorre o inverso e o que era pra ser tempo livre, se tornar espaço para novas tarefas.

Por exemplo, há 24 anos (já existia relógio, claro!!), o brasileiro trabalhava apenas 42 horas por semana e hoje esse número atinge cerca de 51 horas de jornada de trabalho semanais. Atualmente 82% dos brasileiros nos centros urbanos admitem que o nível de ansiedade subiu nos últimos anos e com ele os índices de estresse e de cansaço físico e mental.

Pare e pense; quantas vezes no dia de hoje, você pensou no dinheiro que não tem para comprar algo que, na verdade, nem tem certeza se precisa, ou, em quantas oportunidades observaste as horas com receio de chegar atrasado ao trabalho?

Alguns vão contestar com certeza tais observações e afirmarão que para existir uma sociedade organizada é necessário que hajam limites como esses. Mas tais limites devem extrapolar as necessidades da sociedade e cercearem¹ a própria capacidade do ser humano de viver?!

Quantos momentos importantes ou mesmo felizes de sua vida foram deixados de lado ou tiveram que ser interrompidos, por exemplo, pela necessidade de se dirigir ao seu emprego e trabalhar para ganhar seu salário, que por vezes, nem correspondem a sua responsabilidade e mesmo o risco? Ou simplesmente, em efeitos posteriores, trabalhamos muito, ficamos exaustos e deixamos de usufruir desses momentos de “liberdade”?

Será mesmo necessário se submeter à escravidão do tempo e do capital para conseguir sobreviver? Pode parecer um raciocínio radical, no entanto, quantas pessoas vivem ou viveram alheias a tais regras? Os povos primitivos (primitivos até onde?) viviam distantes de tais limitações. Não havia o sentido de propriedade privada, o dinheiro e os relógios de parede.

Não quero com isso dizer, que o ilustre leitor deveria largar o seu emprego, suas ocupações, quebra seu relógio e passar a morar nas montanhas como um eremita², distante de tudo e todos. Quero apenas alertar que, numa sociedade a qual "tudo que é sólido se desmancha no ar", as coisas que realmente merecem atenção estão ficando em planos inferiores e menos relevantes com o passar do tempo; a família, os amigos, a diversão e a capacidade dos seres humanos de sentir e discernir o que é real em suas vidas.

Saia com seus pais, passeie com seu irmão mais novo, converse com seus amigos, jogue futebol, beije sua namorada com fervor, leia um livro que lhe dê prazer, sorria. Viva a vida como ela merece ser vivida, pois tenho certeza, que além de se tornar uma pessoa melhor, vai perceber o quanto as coisas simples podem deter o processo de "mecanização" pelo qual a sociedade e as relações humanas estão se inserindo, para então o tique-taque e o tilintar das moedas ficarem cada vez inaudíveis diante do som de uma boa gargalhada.

1- Cercear - [Do latim. tard. circinare.] - Corresponde ao ato de restringir, limitar ou diminuir.

2- Eremita - [Do grego. eremítes, pelo lat. tard. eremita.] - Pessoa que vive no ermo -lugar sem habitantes, deserto- por penitência.

quarta-feira, junho 20, 2007

Internet? Para quem?


A existência de 676 milhões de usuários de internet no mundo, cerca de 11,8% da população do planeta, mostra o quanto a evolução da tecnologia e o advento da internet se inseriram de maneira indissociável do cotidiano de grande parte do mundo. A princípio, a internet que tinha fins militares –usada pelos “estadunidenses” a fim de espionar os russos no período da Guerra Fria- passou a ter outras conotações e inserções no cotidiano, quando esta pôde ser trazida de forma prática para a vida das pessoas.

Atualmente, a internet disponibiliza os mais diversos tipos de serviços que partem desde um simples bate-papo entre amigos, uma transmissão rápida e concisa de informações de ponto a outro do globo, até a possibilidade de transações financeiras de valores extremos em segundos.

A facilidade da inserção da web na vida das pessoas ocorre ao mesmo tempo de forma veloz e sutil, tornando uma possível resistência a tal fenômeno quase impossível. Esse fato se dá pela forma como a cultura do imediatismo está presente em nossas vidas, mas este é um assunto a ser abordado posteriormente.

Questionar-lhe-ei, em algum momento você parou para pensar quanto tempo passa na internet? Com que propósito a utiliza? Deixou de realizar uma atividade que a princípio era comum em sua vida somente para poder passar algumas “horinhas” diante do computador?

Pois bem, dependendo de suas respostas, reflita um pouco. O advento da internet é realmente notável e sem dúvida útil a diversas funções. Não seria idiota a ponto de discordar de uma das invenções que revolucionaram o mundo como o conhecemos.

A internet, como qualquer outra invenção, tem seus pontos negativos, e estes são engenhosamente encobertos pelo sistema capitalista e imediatista que faz com que as pessoas acreditem que um bate-papo, um e-mail ou mesmo um perfil no Orkut, possa reduzir as distâncias entre elas e deixá-las mais próximas umas das outras.

Há cerca de duas décadas, não éramos ludibriados com páginas falsas na internet que abusam da ingenuidade de grande parte dos usuários que estão descobrindo as maravilhas da “rede” para fazer saques gordos. A pornografia explícita ainda podia ser controlada pelo horário. E as pessoas saíam nos fins de tarde para se encontrarem e bater um bom papo. Mas e então? Esta internet que temos realmente vale a pena, ou a aqueles dois quilômetros de pedaladas e aquele velho pombo correio com uma mensagem manuscrita não eram tão ruins assim?!

Reafirmando, não tenho interesse de digladiar com a internet feito combatente de César, inclusive, felicito os militares do “Tio Sam” pela poderosa invenção, contudo, peço-lhe encarecidamente caro leitor; desligue o PC e vá andar de bicicleta ou ler um livro.

terça-feira, maio 15, 2007

A frágil teia de uma vida aracnídea


Super-herói. Quem nunca foi fã de um?! Pois bem, na minha última vista a uma sala de cinema, tive uma decepção. Não com o meu personagem preferido, pois pelo que “conheço” dele, se tivesse escolha, teria se livrado daquela "franjinha" no mínimo estranha.

Mas vamos direto ao ponto (como se eu conseguisse). Assisti recentemente ao terceiro filme da franquia de um dos super-heróis mais conhecidos do mundo Marvel e mesmo dos quadrinhos: O Homem-Aranha.

Sinceramente, não entendi como um filme que tinha tudo pra dar certo (e deu, né, recorde de bilheteria no primeiro final de semana em cartaz) conseguiu ter um roteiro sem time.

Impor a crítica pela crítica não é satisfatório, mesmo por que não sou um especialista em cinema. Mas ainda sim, qualquer leigo no assunto perceberia a tentativa infeliz de permear tantos personagens importantes e de origens complexas num único filme.

Venom, Homem-Areia, O Novo Duende Verde e a origem do uniforme negro. Muita coisa para apenas duas horas e dezessete minutos. Esse erro foi primordial para originar a “batalha interna” como propõe o slogan do filme. Parecia que os personagens disputavam espaço no telão e o desenvolvimento do enredo ia ficando em segundo plano.

Cá pra nós, o meteoro com o simbionte cair exatamente no local onde estava o par romântico Peter Parker e Mary Jane, a morte clichê de Harry Osborne/Novo Duende Verde e a aparição épica do aracnídeo, num momento Capitão América, diante da bandeira dos Estados Unidos foram alguns dos fatores que, na minha leiga opinião, mostraram a fragilidade do roteiro e intenção de causar impacto, sem impor a profundidade que os personagens poderiam causar através de suas essências.

Mas o pior estava por vir e seria até cômico, se não fosse trágico. Num momento “emo” (um dos neologismos mais usados na atualidade e fazendo a referência a instabilidade emocional do herói), Peter Parker, sob a influência ridícula do uniforme negro, sai desfilando pelas ruas de Nova Yorke como se fosse Jim Carrey sob o efeito da “máscara de Locke”. Faltou apenas o rostinho esverdeado...

... Então penso eu, como é possível uma franquia que tem tudo pra dar certo, mas tudo mesmo, descambar para um roteiro tão frágil?! Parece que o excesso de maquiagem tridimensional, a superficialidade virtual e o sentimentalismo exarcebado impediram a crescente da trilogia e comprometeram até o desenvolvimento do característico humor do aracnídeo.

O roteirista Alvin Sargent parece ter errado na dose, e nem os US$ 250 milhões investidos no que foi o longa mais caro da história do cinema até então, conseguiu impedir a batalha interna entre os personagens que não conseguiram achar seu devido espaço na teia do Homem-Aranha 3, ou seria, Emo-Aranha?

quinta-feira, maio 10, 2007

Habemus papam? Para que mesmo!?


Annuntio vobis gaudium magnum;Habemus Papam, em tradução livre seria Anuncio-vos uma grande alegria; Temos um Papa. Pois é, temos um Papa. Assim é anunciada a escolha de um novo pontíficie após longas reflexões nos corredores desconhecidos e obscuros do Vaticano.

O da vez é Joseph Ratzinger, aquele cardeal alemão, bem altivo, meio boçal e com cara de neonazista que até então conhecíamos apenas pela TV. Bem, para os mais religiosos, mudem de post, preparem-se para me chamar de herege, ou simplesmente ponderem junto a mim.

Deixando de lado as minhas divagações e relutância em aceitar a existência e mesmo entender exatamente a função do Papa, vamos nos deter a visita do Santíssimo Bento XVI ao Brasil.

Sua chegada ao nosso país vai demandando um agendamento incrível na mídia brasileira, não mais soberbo do que o aparato de segurança proporcionado a ele, que foi ainda maior que o dispensado a 'Bushinho' ou 'Bush Jr'... mas continuando... não se verá nada muito diferente do que o rosto avermelhado do Papa sob o efeito do calor dos trópicos nos próximos dias.

A sua vinda ao Brasil demandou um série de novas discussões sobre o âmbito da religião e principalmente sobre a decadência do catolicismo no país e a queda do número de fiéis, no qual em 1991, 83,8% da população era de católicos e até o ano passado, esses número caiu para 68% de acordo com pesquisa realizada em parceria entre as universidades federais de São Paulo (Unifesp) e de Juiz de Fora (UFJF).

Esse êxodo religioso, não significa que as pessoas estão deixando o lado espiritual de lado, ele mostra apenas que estas estão buscando outros preceitos, partindo na maioria das vezes, para os lados do Bispo Edir Macedo, líder de um congregação evangélica no país que está ampliando seus negócios, digo, templos.

Então, para quem imaginou por um pequeno instante, que o Sumo pontífice veio ao “continente da esperança”, como Vossa Santidade mesmo nomeou a América, devido a grande quantidade de adeptos do catolicismo, apenas para uma viagem de cordialidade ou a fim de santificar frei Galvão (esse último aí quase ganhou um feriado), tenha fé.

O carinha da bata branca e do chapéu engraçado, chegou, não deu uma ‘bitoca’ sequer em nosso solo, dando as caras ao país e ao continente unicamente para de restabelecer os laços da Santa Madre Igreja com os fiéis latino-americanos.

Pesquisas da própria cúpula romana mostram que as visitas do Papa, costumam atrair novos adeptos e resgatar outros. Ah... quase esqueço, antes de sua chegada, alguns membros da Igreja propunham pelo mundo, uma reflexão interna dentro da religião. Seria uma revisão de dogmas?!

Penso eu em minha humilde ignorância religiosa. Por quê?! A Igreja e seus preceitos não deveriam estar acima de tudo e de todos, independente de ter-se 1 ou 139.000.000 fiéis ao seu dispor. Tais adeptos não deveriam se sentir à vontade para embarcar numa fé que aplacasse seus temores através dos dogmas originais e desvinculados ao desenvolvimento da globalização e da sociedade de mercado. Será que dogmas precisam evoluem mediante esses fatores? Ou suas mudanças deveriam passar necessariamente pelo imaginário humano do verdadeiro fiel?

Pois bem, sigo aqui com minhas dúvidas a respeito da religião como um todo. Não sou teólogo e nem ateu, e mesmo que fosse qualquer um dos dois, este é um questionamento simples e plausível que faço sobre a mudança de ideais que causaram e causam supostamente a morte de tantos pelo mundo até hoje.

Muitos dizem que religião não se discute, mas tento apenas refletir e buscar uma resposta para uma grande dúvida funcional que possuo sobre o assunto. Talvez minha ignorância histórica me distancie da resposta. Muitos podem estar rezando pela minha excomunhão, outros devem estar rindo de meu devaneio. Mas reflitam um pouco e digam-me com uma resposta coerente: por que habemus papam?

quinta-feira, março 22, 2007

Política: uma armadilha ao jornalismo

A prática do jornalismo, antes de tudo, precisa ser pautada na verdade e numa representação mais próxima possível da realidade. Contudo, na atualidade, em uma sociedade de mercado e de bens de consumo, a informação se tornou mercadoria de troca, na qual as agências de notícias, redes de televisão, jornais impressos, revistas e outras mídias, vendem seus espaços para divulgação e impregnação de ideologias de outros.

A atividade política que anteriormente mantinha uma determinada distância das redações (nem tanto), passou a rondá-las com o intuito de contaminar a produção da notícia e agregar a ela idéias e ideais. Quando cito o vocábulo “produção”, como no parágrafo anterior, este deve ser levado ao seu significado literal, ao qual remete a própria criação, no sentido de transformar em notícia algo que de alguma maneira, possa favorecer este ou aquele grupo político detentor do poder e neste conceito a própria informação.

Cada vez mais, este poder político está presente nas empresas midiáticas, definindo o que é viável a ser publicado, pois quando certos grupos não são donos do veículo, utiliza de sua influência para direcionar a divulgação de uma informação, ou pelo contrário, utilizar esta para atacar grupos de ideologias contrárias.

O jornalista tem por obrigação aprender a conviver com esta dura pena que lhe é passada e tentar ao máximo possível manter ético e preservar o bem mais precioso que o jornalismo possui: a informação.

Os obstáculos à informação existem há tempos, contudo esses novos entraves à prática jornalística, a submissão política e ao capital, estão transformando-a em uma atividade paralela à política que faz com que a liberdade de imprensa afunde no mesmo barco em que a política, graças a sua falta de credibilidade e transparência.

No Longa-metragem, Todos os Homens do Presidente (1976), homônimo ao livro escrito pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do jornal americano Washington Post, é mostrada a dura batalha entre um periódico “estadunidense” e esse inimigo por vezes invisível, mas que se revela mais forte do que se imagina e tenta cercear a liberdade de imprensa, usando a própria imprensa para atacar, além de deixar poucos indícios que fazem com que os jornalistas tenham que se desdobrar para ter êxito em uma das investigações jornalísticas que se tornou um dos marcos da história da comunicação; o caso Watergate.

No filme, já os créditos de abertura que aparecem com um som violento das letras sendo escritas numa máquina de escrever mesclando-se ao som de tiros disparados por um revólver, exibem de maneira sútil que as palavras serviam, e ainda servem como armas poderosas.

Passamos a viver em um mundo paralelo, numa batalha voraz e sem precedentes da imprensa contra a imprensa, confronto esse incitado por forças políticas distintas que tentam ao seu bel prazer, manipular a informação, transformado as mídias em fantoches e indiferentes a destruição de uma atividade tão preciosa para a sociedade: o jornalismo.

sábado, fevereiro 24, 2007

Pan e Circo no Brasil


O tempo passa, mas algumas coisas não mudam. Há séculos, a política do Pão e Circo foi implementada em Roma para abrandar os ânimos dos camponeses que, com o crescimento da escravidão, perderam seus empregos e se dirigiram para a cidade em busca de uma vida melhor. Infelizmente, para eles, essa melhoria não veio devido ao avanço desordenado da cidade romana, que já não comportava mais a imigração advinda das zonas rurais.

Esse crescimento na cidade provocou temor no imperador César, cujo receio se devia a possíveis revoltas e um provável enfraquecimento do império romano. O Panis et Circensis consistia em dar diversão e comida para o povo com o objetivo de anestesiá-los diante da situação precária em que se encontrava a vida de miséria e pobreza em Roma.

Apesar de meu pequeno devaneio, pense bem: será que isso deixou de existir ou apenas evoluiu para formas mais discretas de açoitamento e a perda por completo da sensibilidade social ?

Programas “sócio-paliativos” como Bolsa família, Programa do Leite, Vale-gás não resolvem nem de longe os problemas arraigados nas entranhas da sociedade brasileira. Esse é o pão de cada dia entregue nas mãos das pessoas para que se contentem apenas com ele e não busquem uma mudança no cardápio de suas vidas.

A dormência começa com a barriga cheia e tende a se estabelecer com o entretenimento se instalando em nossas casas, como se fosse uma verminose que vai corroendo nosso estômago e se espalhando pelo corpo até chegarmos a um estado de completa anestesia.

Esse é o Circo que vem através de diversos eventos como a Copa do Mundo, as Olimpíadas e os Jogos Pan-americanos, este último, a ser realizado no Rio de Janeiro ainda este ano. Parques esportivos de nível internacional estão sendo construídos para abrigar um evento que teve o custo inicialmente orçado em R$ 720 milhões, mas cujos gastos já romperam a barreira dos R$ 3 bilhões.

A organização do Pan e o governo federal discursam e se vangloriam sobre a realização do evento no Brasil e alardeiam sobre os benefícios, a movimentação financeira e a geração de empregos.

Questiono-me e vos questiono acerca do seguinte; por que tanto dinheiro investido num único evento esportivo, este gerando vantagens apenas indiretas à população, se toda essa receita poderia ser direcionada para a direta melhoria de vida do cidadão brasileiro através de investimentos em infra-estrutura, segurança, saúde e educação?

Será que temos tanta fome assim de esporte? Será que poder ir a um posto de saúde e ser atendido sem esperar horas na fila não é mais importante do que participar de um hola em um estádio de futebol? Não seria um preferível sair de casa com a família sem o receio de sofrer com a violência nas ruas a assistir a um jogo de beisebol, esporte que conhecemos através da “caixinha de pandora”?

O Panis et circens de César fez escola e vai sendo aprimorado. A dormência segue e a vida continua. Alguns preferem o pão, outros o circo. Mas será que não teremos nunca a oportunidade de escolher o espetáculo que assistiremos? Continuaremos sendo os gandulas da sociedade, perto de onde o jogo acontece, mas sem a liberdade para interceder?

Nesse caso, simplesmente continuaremos a ser aqueles que são atirados aos leões.

domingo, agosto 06, 2006

Universidade pra que te quero?!


Em mais uma virada de semestre, novos alunos adentram nas universidades públicas federais e estaduais com grandes expectativas em relação ao curso no qual estão ingressando e até mesmo com o cotidiano universitário ao qual, daquele momento em diante, estarão inseridos.

De acordo com a versão digital do dicionário Aurélio a definição da palavra universidade é seguinte: “Instituição de ensino superior que compreende um conjunto de faculdades (...) para a especialização profissional e científica, e tem por função precípua garantir a conservação e o progresso nos diversos ramos do conhecimento, pelo ensino e pela pesquisa.”

Mas qual a verdadeira função da evolução desse conhecimento processado em tais instituições, se ele não for aplicado em benefício da sociedade? Exatamente porque é essa mesma sociedade que arca com os custos da universidade...

Contudo e infelizmente, muito daqueles que entram nas universidades públicas vem com o objetivo tão somente de crescer individualmente. Não que isso seja um crime, pois para se entrar numa instituição de nível superior de qualidade e gratuita é necessário muita força de vontade e dedicação, e não há problema algum em querer uma recompensa por todo o esforço empregado.

Todavia, esse sentimento unilateral e egoísta que está arraigado em nossas entranhas desde muito tempo, precisa se dissipar e dar lugar a uma perspectiva mais ampla da sociedade e da nossa responsabilidade para com ela.

Que as universidades, sendo federais ou estaduais – não importa – possam ser, além de berço para novos conhecimentos e conceitos, um ponto de convergência de interesses do todo em detrimento das partes.

Então que os “calouros” e “veteranos” possam refletir sobre suas posturas individuais e sobre a importância da participação nas atividades universitárias, para que este conceito de global de coletividade venha efetivamente a fazer parte da universidade, e não fique apenas nas páginas de um dicionário.

terça-feira, julho 18, 2006

O "novo" Superman


Essa é a primeira vez que escrevo para este blog. Eu havia imaginado começá-lo com um texto supostamente bem mais “cabeça” e que falasse sobre o “novo”, mas por quê? Se posso fazer diferente!!!

Mas por que falar do “novo”!? Pode parecer estranho questionar a respeito disso, mas todos nós convivemos com ele diariamente e está sempre presente, desde o momento do nascimento até a hora da morte.

Tentando não fugir do meu foco e me mantendo distante de uma reflexão filosófica, que provavelmente vai parecer impossível, neste último final de semana, fui com alguns amigos assistir o filme Superman – Returns, do diretor Bryan Singer, aquele mesmo que dirigiu X-men 1 e 2.

Cheguei ao “Multiplex” com uma enorme expectativa a respeito do longa-metragem, mas que de certa forma, não deveria, por estar cansando de me decepcionar com badaladas produções cinematográficas (leia-se ,principalmente, Código da Vinci) e poderosas estratégias de marketing que pouco a pouco vamos nos habituando e conhecendo melhor.

Enfim, chegando à sala de cinema, teve início mais uma tragédia aos idos do teatro grego com pitadas de situações “telenovelescas”, esta última, tão comum ao grande público. O filme parece mais uma analogia a vida de Jesus Cristo, me perdoem os cristãos mais fervorosos pela comparação.

O Superman de Bryan Singer, que insiste em aparecer na posição de uma pessoa crucificada, vai ao exílio em busca da sua verdade e quando retorna, passa por diversas provações e “morre”, no caso do nosso personagem contemporâneo, após ter sido espancado pelos capangas Lex “Pilatos” Luthor.

A ressurreição deste marco dos quadrinhos, não é tão gloriosa quanto à do filho de Deus, até por que ela e grande parte do longa – que é realmente longo, 153 min – foi recheado de clichês baratos, cenas previsíveis e algumas atuações que não estiveram a altura dos personagens importantes da trama, que foram encarnados por atores inconsistentes e inexperientes – salvo o ator Kevin Spacey , que interpretou e “incorporou”o personagem megalomaníaco e carismático de Lex Luthor.

São pequenos detalhes como estes que fazem com que o público perceba que não vale mais a pena ir ao cinema para ver um filme apenas pelos atrativos dos cartazes, teasers e trailers amplamente divulgados.

Esta, apesar de ser uma película baseada em um personagem tarimbado dos quadrinhos e com uma história pré-deterrminada, é importante que tantos clichês sejam evitados e que novidades como os efeitos sonoros agregados ao "param-pam-pam-pam" - tema clássico de John Williams – Superman I, II, III e IV sejam mais freqüentes e que os roteiristas sejam mais ousados, sem que a história tenha que ser comprometida para isso.

Apesar do “novo” gerar medo nas pessoas, por ele ser potencialmente perigoso, este é o risco que temos que correr para que nossa gama de sensações e experiências se amplie ao ponto de percebermos que dentre as principais engrenagens que movem as nossas vidas existe esta: “O novo”!!!